Este castelo pertence à M@G@,Dominadora carioca há mais de 25 anos envolvida nesta prática BDSM

segunda-feira, 14 de junho de 2010

BAREBACK - As origens e as conseqüências do sexo não-seguro (Parte 2)

 

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Outra virada fenomenal no histórico da AIDS estava por acontecer: finalmente, após milhares de mortes tristes e inevitáveis, uma forma de combate à doença estava a caminho. O chamado “coquetel”, associação de diversas drogas anti-retrovirais, mostrou-se altamente eficaz no controle e no tratamento da doença, criando mais um conceito novo: o de “soropositividade”. Isto quer dizer que atualmente um indivíduo infectado por HIV não necessariamente desenvolve a AIDS e, mesmo se este já apresente alguns sintomas mais ou menos graves, poderá apresentar regressão do caminhar da doença e passar a ter uma vida absolutamente normal. Com o passar do tempo, rapidamente uma infinidade de medicações anti-retrovirais foram desenvolvidas, colocando à disposição da população e da classe médica uma longa lista de medicamentos eficazes no combate à AIDS, cada vez com menos efeitos colaterais e maior segurança. A AIDS parecia ser já um problema superado e solucionado pela Medicina contemporânea, fadada a perder seu status de “peste do Apocalipse” e entrar para o hall das doenças controláveis. Mas mudanças neste panorama ainda estavam por vir...

Com o início do Novo Milênio, toda uma geração que jamais havia tido contato direto com a AIDS atingiu uma faixa etária sexualmente ativa. Esta geração cresceu sendo superbombardeada pelas campanhas em favor do uso de preservativo e desenvolveu “imunidade” a elas, imaginando que a AIDS não deva ser “um monstro tão feio quanto pintam” ou que deva ser coisa de “viado”. Toda esta nova geração se expõe aos riscos da AIDS e de outras DSTs por pura ingenuidade e desinformação. Toda uma geração alienada ainda por cima ignora sistematicamente a possibilidade de estar infectada, fechando seus olhos para possíveis sintomas, recusando-se a fazer testes clínicos e voltando suas costas para o tratamento anti-retroviral. Todos estes jovens, independentemente do sexo e da opção sexual, podem, a qualquer momento, desenvolver a AIDS e chegar a pontos irreversíveis da doença. Muitos morrem por isso...

Ao mesmo tempo, a população mais velha passou a enxergar a AIDS como uma doença desprovida de perigo e a imaginar que caso alguém seja infectado, a medicação anti-retroviral “dará conta do recado”. Era a volta do “barebacking”. Principalmente nos Estados Unidos e em especial em Nova York, orgias sexuais conhecidas como “conversion parties” (festas de conversão) começaram a acontecer e a se tornar a “última moda” em matéria da sexualidade do século XXI. Nestas “conversion parties” o grande objetivo assumido e descarado é o de tornar uma pessoa até então HIV-negativa em HIV-positiva. Qual é a razão que leva alguém a querer se tornar soropositivo? A razão é simples: a soropositividade é vista como uma libertação do sexo seguro, possibilitando uma volta incondicional à grande abertura sexual experimentada nos anos 70. Um soropositivo poderia, por este raciocínio, jogar para o alto as “camisinhas” e fazer tudo o que tivesse vontade com quem bem entendesse. Depois, bastaria tomar “direitinho” sua medicação. Este raciocínio é um grande absurdo! Um soropositivo não está nem de longe liberado do “sexo seguro”. Em primeiro lugar, este indivíduo pode ser fonte de contaminação para desavisados (que são muitos hoje em dia!). Em segundo lugar, mesmo se ele se relacionar com outros soropositivos, pode haver nova contaminação, acarretando aumento da carga viral e desencadeamento de queda de imunidade e sintomas. Em terceiro lugar, pode haver a aquisição de um tipo diferente de vírus do que ele já possuía inicialmente, por vezes resistente à medicação anti-retroviral em uso. Finalmente, há também o risco de se contraírem outras DSTs, tais como a sífilis, a gonorréia, HPV, o cancro mole e tantas outras, nem sempre de fácil tratamento e nem sempre também isentas de riscos graves para seus portadores.

Mas nem todo “barebecker” tem este raciocínio de “coversão”. Há muitos que imaginam que, sendo soronegativos, limitarem seus relacionamentos a pessoas igualmente soronegativas, estarão fora de risco. Isto é igualmente um absurdo: há espaço de tempo variável em que uma pessoa já contaminada pelo HIV pode ter resultados de exames laboratoriais de soronegatividade. Este intervalo em que os testes apresentam resultados “falso-negativos” é conhecido em Medicina como “janela imunológica”, na qual um indivíduo pode facilmente transmitir o vírus a outra pessoa, sem que se possa ter noção de que o fato ocorreu. Além da janela imunológica, com qual freqüência uma pessoa que se expõe a um comportamento de risco como este deveria se submeter ao exame de pesquisa de HIV? Mensalmente? Semanalmente? Diariamente? Testes laboratoriais não são assim tão matemáticos: sempre há risco de que se obtenham “falsos-negativos”, bem como “falsos-positivos” (risco este medido pelas sensibilidade e especificidade de um teste, respectivamente).

(by Mr. B)
(postado na lista BDSM-SP em mar/05) 

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